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Esta semana parei para analisar por que gosto tanto de A Favorita. Mas, como na vida, em que nada é totalmente bom ou mau, também acabei encontrando alguns pontos que me desagradam na história... Por isso, elaborei a lista das 10 razões que me fazem assistir à novela todos os dias e os 10 motivos que vira-e-mexe me dá vontade de desligar a TV. Confesso que tive mais problemas para pensar no que não gosto, mas para deixar os dois lados da balança equilibrados pedi uma forcinha para Heloiza Gomes, minha parceira de trabalho na redação. Confira e faça as suas listas também.
10 CASOS DE AMOR
1 ATRIZES BRILHANTES
Patrícia Pillar, Claudia Raia, Glória Menezes, Mariana Ximenes, Lília Cabral, Suzana Faine, Taís Araújo, Deborah Secco... divas da tela em estado de graça e nos brindando com interpretações maravilhosas.
2 FLORA , A MALVADONA
Sou do tempo em que toda novela boa tinha de ter uma vilã bem má. Pois A Favorita tem uma das piores de toda a história. E Patrícia está divinamente maléfica. Rosto de anjo, coração de pedra e instinto assassino. Flora talvez seja a criatura mais cruel de nossas novelas. Basta lembrar de outras rainhas das vilanias. Nazaré (Renata Sorrah), em Senhora do Destino, era uma peste, mas o amor que sentia por Isabel (Carolina Dieckmann) era totalmente sincero. E Adma (Cássia Kiss), de Porto dos Milagres? Serial killer implacável, ela era movida pela louca paixão que sentia por Felix (Antonio Fagundes). Flora não ama ninguém. Nem a filha, Lara, que pensa em matar. E o sentimento que nutre por Zé Bob (Carmo Dalla Vecchia) é apenas mais uma obsessão por algo que "pertence" a Donatela (Claudia Raia).
3 O DRAMA DE CATARINA
Eu tinha certa implicância com a passividade de Catarina (Lília Cabral), frente a agressividade de Léo (Jackson Antunes). Mas a maneira sensível com a qual João Emanuel Carneiro conduziu essa subtrama de A Favorita foi brilhante. Catarina foi aflorando aos poucos e se tornando uma mulher forte e decidida. Texto sóbrio, diálogos brilhantes e uma química fantástica entre Lília e Jackson.
4 TRAIÇÃO
Já falei aqui que amei o desenlace da traição que Dedina (Helena Ranaldi) e Damião (Malvino Salvador) fizeram com Elias (Leonardo Medeiros). Por isso, não poderia faltar esse que é um dos pontos altos da trama de João Emanuel.
5 A "POLITICAGEM" DE ROMILDO ROSA
Poucas vezes a dissimulação de um político ganhou uma abordagem tão irônica e certeira quanto a trajetória de Romildo Rosa (Milton Gonçalves). Ao mesmo tempo em que é um político corrupto, envolvido com toda a sorte de jogatinas e até com o tráfico de armas, ele é um pai devotado e sinceramente apaixonado por Arlete (Ângela Vieira). Ou seja: um ser humano completo e real, valorizado pela atuação impecável de Milton.
6 ÓTIMOS "CAPACHOS"
Todo grande vilão tem asseclas de primeira. E com Flora não é diferente. Dodi (Murilo Benício) e Silveirinha (Ary Fontoura) são os fiéis escudeiros da megera e já passaram por todas as etapas ao lado dela: agressões, carinhos e traições. Até bofetes na cara os dois levaram da "chefona", mas permanecem lá: grudados na barra da saia da peste. Inspirados, Murilo e Ary dão show de bola.
7 HOMOSSEXUALISAMO TRATADO COM DIGNIDADE
É muito bom ver em cena um personagem homossexual totalmente sem estereótipos. Stela (Paula Burlamaqui) é assim: gente como a gente. A revelação de que ela é lésbica vai provocar muito burburinho, preconceito e confusão na cidade de Triunfo, mas se o novelista continuar dando o tratamento digno e naturalista que vem empregando na história, pode ter certeza de que vem muita coisa boa por aí.
8 TEXTO BRILHANTE
Diálogos afiadíssimos, cenas fortes e muita ironia. O texto de João Emanuel Carneiro é trabalhado com muito cuidado. Como uma renda fina e perfeita, mas que é ao mesmo tempo forte e resistente. Até mesmo no pior núcleo da novela (o de Augusto César), alguns diálogos primam pelo capricho e pela emoção. Mas o melhor texto está na boca de Flora e de Dodi, dois debochados irremediáveis, sempre prontos para desarmarem seus inimigos. Uma verdadeira aula de boa dramaturgia.
9 PAIXÃO NA TERCEIRA IDADE
A história de amor entre Irene (Glória Menezes) e Copola (Tarcísio Meira) vem dividindo o público. Mas é impossível ficar indiferente à tamanha demonstração de paixão, que resistiu ao tempo e às intempéries da vida. Eu sou favorável para que Copola e Irene vivam esse amor da terceira idade plenamente, afinal, passaram 50 anos tentando se adaptar a uma vida que não era a que almejavam.
10 NINGUÉM É O QUE PARECE
Muita gente não gostou. Vários se sentiram traídos. Mas eu amei e considero um golpe de mestre de João Emanuel Carneiro fazer de sua mocinha uma grande vilã. No início da história, ninguém sabia quem falava a verdade, se Flora ou Donatela. Mas o rosto angelical de Patrícia Pillar e a altivez de Claudia Raia, e a trajetória de suas personagens (uma presidiária e a outra, uma perua) induziam que a loira era boazinha e a morena uma peste. Mas o autor reverteu a história e transformou a angelical numa cobra de veneno fatal. E entrou para as antologias da televisão. Simplesmente genial. A eterna dicotomia entre o Bem e o Mal é tratada com muita propriedade pelo autor e ele combina isso com a questão das aparências. O que se esconde por trás das máscaras que todos nós exibimos no dia-a-dia é a pergunta que ele nos faz a cada capítulo. João Emanuel não responde, apenas nos dá vários exemplos. Todos maravilhosos.
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10 PONTOS DIVERGENTES
1 HOMENS SEM FIBRA
O que as personagens femininas da A Favorita têm de fortes e decidias, os homens primam pela pasmaceira. Os "machos" da novela não parecem ter culhões e vivem na barra da saia de suas fêmeas. Gonçalo (Mauro Mendonça) é um banana, Átila (Chico Diaz), idem, e Elias (Leonardo Medeiros), nem se fala. Já Augusto César (José Mayer) é típico perdedor. Mas o pior é Zé Bob (Carmo Dalla Vecchia), que de herói viril não tem nada. Falta testosterona nesses caras.
2 DONATELA
Que a atuação de Claudia Raia é brilhante, nem vou discutir. Mas Donatela já esgotou a paciência do espectador com seus choramingos. Sei que a mulher comeu o pão que o diabo amassou, mas está chorando demais e agindo de menos. Apesar de seu poder da "invisibilidade", que a faz andar por São Paulo sem ser vista, até agora ela não fez efetivamente nada contra Flora. Só sabe ficar pelos cantos lamentando a própria sorte. Nem parece aquela perua decidida do início da novela. Pára de chorar, Donatela. E vai à luta!
3 TRIÂNGULOS AMOROSOS FRAAACOS
Falta conflito amoroso nessa história. E muitos casais românticos carecem de química. Os triângulos formados por Flora-Zé Bob-Donatela não engrenou. Cassiano-Lara-Halley também deu sono. Mas o pior foi o conflito armado entre Cida-Átila-Lorena, que foi resolvido num passe de mágica. Tudo muito chaaaato e sem sangue.
4 TRAIÇÃO SEM IMPACTO
Enquanto a traição de Dedina movimentou a história, a descoberta de que Gonçalo teve uma amante durante cinco anos não empolgou. A crise de Irene durou pouquíssimo e soou mais como um piti da dondoca, indo fazer beicinho em Parati. Sem falar que o casal se acertou rápido demais. Faltou um toque a mais de melodrama nesse barraco.
5 ATORES DESPERDIÇADOS
Alícia é uma delícia e vem sendo bem interpretada por Taís Araújo. Mas a personagem está muito aquém do que a atriz pode render na telinha. Mas existem casos ainda mais graves do que o de Taís. Gente boa, como José Mayer, Ângela Vieira, Rosi Campos, Selma Egrey e Christine Fernandes estão sendo super mal aproveitados e fazem meras figurações.
6 AUGUSTO CÉSAR, O MALA DO ANO
Não consigo me lembrar de um personagem mais chato e sem noção do que Augusto César. O ex-cantor é chato até dizer chega e seus conflitos não fazem parte do dia-a-dia de ninguém. A loucura de Augusto não tem graça e atravessou uma linha tênue que separa o imprevisível do insuportável. Quando vejo a novela gravada e ele surge em cena, acelero a imagem no controle remoto, porque ele cansa minha beleza. Coitado do Miguel Rômulo, o Shiva da história, que está se saindo tão bem e fica perdido naquele cenário desolador.
7 ONDE ESTÁ O SOTAQUE DA CÉU?
Quando apareceram em A Favorita, Céu (Deborah Secco) e Greice (Roberta Gualda) tinham um sotaque carregadíssismo, principalmente, Greice, que parecia até um animal rosnando. Não entendia quase nada do que ela dizia. Ao chegarem na cidade grande e se habituarem à "civilização", Greice aliviou bastante sua maneira de falar. Tudo bem. Até vai, porque continua interiorano. Já sua irmã, que também tinha um sotaque pesado, virou cosmopolita no exato momento em que entrou na mansão de Orlandinho (Iran Malfitano). Licença poética do autor ou da direção? Não. Para mim, é desrespeito com o público. Sou totalmente avesso a atores fazendo sotaques falsos exatamente por isso. Nunca fica perfeito e corre o risco de agredir o ouvido do público e sumir do mapa. Foi o que aconteceu com Céu. Ficou ridículo!
8 CASSIANO, O PASPALHO, E SUA MÚSICA CHATINHA
Foi duro, minha gente, passar meses ouvindo Cassiano (Thiago Rodrigues) entoando aquela música insuportável que ele fez para Lara. Além da voz sem brilho de Thiago, a letra era de uma cafonice dos infernos e a melodia, um porre. Sem falar que a cara de paspalho do personagem me tira do sério também.
9 A METAMORFOSE DE HALLEY
Está bem. Em novela tudo é possível. E personagens podem se transformar. Mas a metamorfose de Halley foi exagerada demais. Michê de quinta categoria, irresponsável até dizer chega e sem estudo ou qualificação, já que não se formou em nada (lembra que ele enganou a mãe a vida toda de que cursava uma escola militar?), bastou ele colocar terno e gravata para trabalhar no Grupo Fontini, para adquirir enorme responsabilidade e um talento natural para gerir negócios. Halley mentiu e mente, engana, trai, dissimula, mas é tratado como um "bom menino". Desprovido de caráter, o personagem sofre de um agravante: Cauã Reymond não é ator. É apenas uma figura bonita em cena. E não poderia, em situação nenhuma, ter um personagem tão fundamental à trama. Eu, se fosse Cauã, teria vergonha de contracenar com Patrícia Pillar, Claudia Raia e Mariana Ximenes. Suas limitações ficam tão evidentes no ar que, durante um ou dois segundos, fico com pena do rapaz. Mas passa rápido, quando imagino o quanto ele está ganhando para desempenhar tão mal seu trabalho.
10 A FAMÍLIA DE DODI
Se existe algo completamente desnecessário em A Favorita é a família de Dodi. Até agora fico sem entender por que Sabiá (Lúcio Mauro) e Fafá (Cláudia Missura) foram criados. Eles não têm qualquer função na história e apenas estão respirando o ar dos outros. Sem falar que as cenas românticas entre Lúcio Mauro e a pobre Emmanuelle Araújo são de matar! Emmanuelle está se saindo tão bem! Não merecia.
Postado por: Jorge Brasil | 19/11/2008 | (45) Comentários
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Gente mal humorada é sempre um pé no saco! Azeda qualquer ambiente, acaba com o alto astral e tira as pessoas do sério. Mas sabe que, nas novelas, essas criaturas rabugentas até que têm sua graça? Existem quatro bons exemplos na telinha da Globo atualmente, curiosamente, todas mulheres: Iolanda (Suzana Faine), de A Favorita; Violeta (Vera Holtz), de Três Irmãs; Luli Maria (Eliana Rocha), de Negócio da China, e Dona Drica (Daniel Boaventura), de Malhação. Talvez eu até colocasse o Augusto César (José Mayer), de A Favorita, nessa lista também, mas o ex-cantor é tão mala, é tão insuportável, é tão chato, é tão intragável que ultrapassa em muitos decibéis o “status” de rabugento. Mas vamos falar um pouco sobre cada uma dessas pentelinhas:Montagem 
IOLANDA (A FAVORITA)
A mulher de Copola (Tarcísio Meira) está sempre de mal com a vida, implica com todo mundo e persegue a filha, Cida (Cláudia Ohana). A rabugenta também não gosta de música, de cinema, de artes plásticas... mas dá para entender porque ela é assim, afinal, deve ser muito triste passar a vida ao lado de um homem que ama outra mulher (Irene, vivida por Glória Menezes). Mas Iolanda tem um atributo que a torna irresistível: o talento de Suzana Faine. A atriz veterana empresta seus profundos olhos verdes à melancolia de Iolanda. Apesar de ter poucas cenas na novela, Suzana atrai as atenções sempre que aparece. Suzana humaniza sua personagem e torna tão evidente o quanto ela sofre por causa do Copola, que é quase impossível não se comover com suas dores. Estou com Iolanda e não abro. E mais ainda com a maravilhosa Suzana Faine.
VIOLETA (TRÊS IRMÃS)
Vera Holtz é do mesmo calibre de Suzana Faine: tem o dom de roubar a cena em qualquer papel que faça. Mas ela tem uma carga maior do que sua colega da trama das 9, porque além de muito mal humorada, Violeta ainda é a grande vilã de Três Irmãs. Vera defende sua personagem, garantindo que ela, na verdade, é uma antagonista. Só que não dá para perdoar uma megera que vive mandando surrar os outros, joga o neto (Marco Aurélio, interpretado por Vitor Novello) contra a própria mãe (Dora, papel de Cláudia Abreu), é preconceituosa, metida e quer destruir o paraíso de Caramirim. O detalhe é que Vera é tão esperta que colocou uma bela dose de ironia e humor na hora de criar a Violeta. Assim, ao mesmo tempo em que ficamos com ódio dela, conseguimos dar boas gargalhadas com suas rabugices, principalmente, nos embates com Waldete (Regina Duarte). Violeta, como Vera, é Mara!
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Postado por: Jorge Brasil | 14/11/2008 | (8) Comentários
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Ingenuidade. Essa é a primeira palavra que me vem à mente quando penso em Chamas da Vida. Muito bem produzida, a trama das 10 da Rede Record guarda características das telenovelas dos anos 1970/1980. E isso não é ruim. Pelo contrário. Principalmente se você lembrar que algumas das melhores produções de nossa telinha datam desse período: Irmãos Coragem (1970/1971), Selva de Pedra (1972), Gabriela (1974), Escalada (1975), Dancin´Days (1978), Água Viva (1980), Baila Comigo (1981), Guerra dos Sexos (1983), Roque Santeiro (1985), Roda de Fogo (1986) e Vale Tudo (1988), entre muitas outras.
Pois se Chamas da Vida não chega ao patamar dessas obras-primas, ao menos não decepciona aos fãs de um folhetim clássico. Cristianne Fridman, autora também de Dona Anja (1996) e Bicho do Mato (2006), mostra segurança na hora de conduzir sua história. Não tem grandes arroubos de criatividade, mas estão lá todos os ingredientes que a gente gosta: a mocinha batalhadora (Carolina, vivida por Juliana Silveira), o herói romântico boa gente (Pedro, papel de Leonardo Brício), a vilã assassina (Vilma, Lucinha Lins), o núcleo cômico (comandado pelas personagens de Iris Bruzzi e Marilu Bueno), o playboy do mal (Tomáz, Bruno Ferrari) e a safada que adora ferrar a protagonista (Ivonete, Amandha Lee). Falta apenas o tradicional ''quem matou?''. Mas isso é questão de tempo e aposto todas as minhas fichas que a vítima será Walter (Antônio Grassi). Vamos aguardar...
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Postado por: Jorge Brasil | 07/11/2008 | (69) Comentários
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Um dos "pecados" cometidos por João Emanuel Carneiro em A Favorita foi centrar demais o foco de sua novela nas protagonistas, Flora (Patrícia Pillar) e Donatela (Claudia Raia). E deixar muito de lado as tramas paralelas. O resultado disso é expor Flora e Donatela além da conta. Eu mesmo já agarrei certa implicância pela Donatela, que está passiva demais. Chata! Só chora... João demorou em dar vida aos seus personagens coadjuvantes. Céu (Deborah Secco), Alícia (Taís Araújo) e Catarina (Lília Cabral) tiveram alguns bons momentos, mas suas histórias se diluíram e elas continuam sendo meras coadjuvantes.
Agora, o novelista está investindo na melhor de suas subtramas: o drama vivido por Elias (Leonardo Medeiros), Dedina (Helena Ranaldi) e Damião (Malvino Salvador). Pelo menos é a que mais me aflige. Sim, porque as conseqüências de uma traição são devastadoras. Abala a auto-estima, a confiança, a fé no amor e atrapalha todas as áreas da vida das pessoas envolvidas nessa situação. Posso falar de cadeira. Nos meus 39 anos de vida, já traí e fui traído, e até mesmo já fui traído enquanto traia. Ou seja: sei exatamente o que se passa na cabeça dos três personagens. A diferença é que Dedina foi movida apenas por traição e eu estava seriamente envolvido pelos dois vértices do meu triângulo amoroso.
Se você já passou por isso, sabe que todos sofrem. E que não há vilões, nem vítimas. Apenas seres humanos tentando acertar. Gosto imensamente da maneira como João Emanuel vem tratando o tema. Tirando o fato de Damião ficar paralítico durante uma briga com Elias (mas estamos falando de um folhetim clássico e, sendo assim, tudo bem), o resto é tratado com realismo e sensibilidade. Os diálogos são bárbaros, duros, fortes, incisivos e os atores estão dando o melhor de si.
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Postado por: Jorge Brasil | 30/10/2008 | (39) Comentários
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''Comece pelo começo, siga até chegar ao fim e então, pare'' (Lewis Carroll em Alice no País das Maravilhas)
É difícil uma criança que nunca tenha se deparado com Alice. Seja no "país das maravilhas" ou "através do espelho", que lemos nos livros e assistimos nos desenhos e filmes. Eu já embarquei diversas vezes nas aventuras de Alice e em sua delirante viagem de autoconhecimento. E está acontecendo de novo agora. Alice no País das Maravilhas vem sendo muito bem representado na telinha atualmente. No canal a cabo HBO, a série Alice uma modernização da história de Lewis Carroll. Mas encontro Alices também em A Favorita e até em Os Mutantes. Mas vamos por partes...
Para quem no conhece a história, Alice é uma menina, que segue o Coelho Branco e cai em sua toca, indo parar num lugar fantástico povoado por criaturas muito peculiares, como o Chapeleiro Maluco, o Gato Risonho, Lebre de Março, a Duquesa e a Rainha de Copas, entre outros. Criado pelos cineastas Karim Anouz e Sérgio Machado, o seriado Alice já está no quinto dos 13 episódios que serão exibidos. Mas se você não viu nada ainda vale à pena pegar o bonde pela metade. Ou então esperar as reprises do HBO. Alice passa todo domingo, às 22h e 1h (na HBO2). Confira os outros horários no site http://www.hbo-br.tv/.
Interpretada por Andréia Horta, que também vive a Beatriz de Chamas da Vida, Alice é mais velha e menos inocente do que a personagem de Lewis Carrell. Mas mantém certa ingenuidade. Às vésperas de seu casamento, Alice é surpreendida com o suicídio de seu pai. Ela deixa Palmas, no Tocantins, e vai para o funeral dele em São Paulo. E é na metrópole que começa sua louca jornada. Logo no primeiro capítulo, Alice perde o avião de volta, vai parar numa rave e acaba transando com um americano bonito. A partir daí a moça se joga numa onda de sexo, drogas e eletronic music. Com tantos atrativos aos seus pés, ela desiste de retornar para Palmas, justificando que deseja descobrir quem realmente é, além de conhecer um pouco mais sobre o falecido pai (com quem não conviveu) e se aproximar da meio-irmã adolescente, Célia (um anagrama de Alice, como elas descobrem), vivida por Daniela Piepzyk (de O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias). A menina Daniela mais uma vez tem uma atuação excelente e Regina Braga brilha intensamente como a Tia Luli. Andréia tem nas mãos uma personagem complexa, mas se sai com desenvoltura. E conquista o público com toda sua graça e carisma.
Quero reverenciar também a extraordinária atuação de Tereza Rachel no terceiro episódio, que lembrava muito a passagem escandalosa da vida de Susana Vieira. No programa, Tereza viveu uma estrela cujo marido garoto era detido por quebrar o quarto de hotel e espancar uma prostituta. Só que, na ficção, a personagem de Tereza botou o safado para correr... Bem, mas o que importa é que a veterana deu um show de interpretação, aproveitando cada nuance e tensão dramática que seu papel oferecia. E deixo no ar a pergunta: por que Tereza Rachel no está fazendo novelas, minha gente? Caros produtores de elenco, respondam, por favor!
Bem produzida, dirigida e interpretada, Alice só tem um problema. E sério: sua protagonista até agora só caiu na gandaia. Aprendizado? Autoconhecimento? Alguma lição? Por enquanto não. Até agora ela não evoluiu nada. Mas vou aguardar até o 10º capítulo para conferir onde Alice vai parar. E comento aqui depois...
Uma Alice bem caipira
Em A Favorita, Maria do Céu (Deborah Secco) é uma espécie de Alice da roça. Ou era, já que ao chegar no "país das maravilhas" (leia São Paulo, também), ela simplesmente perdeu seu sotaque caipira. Uma licença poética da qual o autor, João Emanuel Carneiro, se permitiu e que não afetou seu trabalho. E Alice/Céu realmente mergulhou fundo no mundo novo que descobriu. Cruzou com terríveis Rainhas de Copa, encontrou um chapeleiro muito louco (Orlandinho, vivido por Iran Malfitano), mas nenhum dos gatos que arrumou, Cassiano (Thiago Rodrigues) e Halley (Cauã Reymond), sorriram de verdade para ela.
Boa atriz, Deborah dá credibilidade para as situações insanas que sua personagem se mete e faz o público perdoar seus desatinos. Lançada num universo totalmente diferente do que foi criada, ela luta com as armas que tem para conquistar o que julga ser sua felicidade. E está num processo de descobrimento sutil, mas forte; tal e qual Alice, Céu é uma sobrevivente! E vai chegar aonde quer.
Alice mutante
Decidi incluir Maria (Bianca Rinaldi), de Os Mutantes, nessa lista por uma simples razão: a ex-artista de circo foi tragada para um mundo tão fantasioso e cheio de armadilhas e descobertas quanto à pequena Alice. E, como a menina que conseguiu ficar gigante e minúscula, Maria também ganhou poderes especiais que a ajudam a superar as adversidades. O rito de passagem que todo adolescente enfrenta trabalhado em velocidade máxima pelo autor Tiago Santiago. Maria está tendo que amadurecer a duras penas. O novelista faz de Maria a melhor personagem da sua novela. A que mais se transformou, cresceu e evoluiu. E a Alice/Maria, tirando seus poderes mutantes, poderia estar sentada ao seu lado na sala de aula, trabalhando com você ou sendo sua amiga. Ela é gente como a gente e só quer descobrir sua verdadeira identidade emocional.
Mas e você? Também tem um "Q" de Alice?
Postado por: Jorge Brasil | 23/10/2008 | (21) Comentários
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Sei que vou levar muita pedrada pelo que vou escrever. Mas preciso manter coerência frente à minha posição de comentarista de assuntos televisivos. Estou angustiado com a situação agonizante de Os Mutantes. É triste demais você se deparar com algo que vai morrendo aos poucos na sua frente. Bate uma sensação de impotência... É horrível! Não tem nada que se possa fazer para aliviar esse sofrimento. Pois essa é a situação atual de Os Mutantes. A novela da Record está moribunda, a um passo do ''outro lado da vida''.
Caminhos do Coração tinha uma trama vibrante, um tanto absurda, é claro, mas era divertida e sem pudores. O autor, Tiago Santiago, não se importava em adaptar outras histórias, de se inspirar em personagens que já existiam e até usar temas bíblicos. O que ele queria mesmo era entreter o público. E muita gente embarcou em suas ''maluquices''. Gostando ou não, ninguém pode negar o trabalho hercúleo que os profissionais de efeitos especiais da Record executam com garra. O que os americanos fazem semanalmente em Heroes ou Lost, os brasileiros têm de executar diariamente. Imagine o que deve ser produzir um episódio de Heroes por dia? Pai do céu!
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Postado por: Jorge Brasil | 16/10/2008 | (91) Comentários
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Quando escrevi sobre os primeiros capítulos de Três Irmãs muita gente reclamou que eu estava sendo precipitado, que não dava para julgar uma novela pelo seu início e que primeiro capítulo é sempre igual. Mas Negócio da China foi a prova viva de que os ''críticos'' que criticaram o crítico aqui estavam errados. Miguel Falabella (autor) e Mauro Mendonça Filho (diretor) simplesmente arrasaram. Tirando a música da abertura, com Ney Matogrosso cantando aquela coisa chatíssima de ''Lig, lig, lig, lé...'' gostei de praticamente tudo.
Adorei a maneira sincera como Falabella apresentou seus personagens. Em pouquíssimo tempo embarcamos na linda história de amor de Heitor (Fábio Assunção) por Lívia (Grazi Massafera) e já comecei a torcer para que eles se acertem e fiquem juntos. Logo depois, ao ver a maneira embevecida como João (Ricardo Pereira) olhava para Lívia, passei a desejar que a loira desse uma chance ao português. Olha que incrível: com muita habilidade Falabella já envolveu o público no principal triângulo amoroso de sua história de uma forma bastante intensa. Parabéns!
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Postado por: Jorge Brasil | 09/10/2008 | (47) Comentários
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Esta semana vou direcionar nosso papo a duas vertentes: o fim de Ciranda de Pedra e a semana extraordinária de A Favorita. Temas que me fizeram refletir muito. Começo pelos capítulos decisivos da trama das 6 da Globo... E a conclusão que faço dessa obra tão requintada é que Ciranda de Pedra não deveria ter sido exibida às 18h. Os assuntos abordados no livro de Lygia Fagundes Telles eram fortes demais e foram amenizados pelo autor Alcides Nogueira. Os personagens, idem. Todos tinham possibilidades dramatúrgicas muito fortes, que, em função do horário, foram diluídos além da conta. Com isso, Ciranda de Pedra tornou-se uma novela linda de se ver, bem dirigida, com atores eficientes, mas com uma história que não prendia a atenção.
Imagina o que não aconteceria se, em vez de uma novela das 6, fosse uma minissérie? Quantas abordagens mais fortes Alcides não teria feito às 23h? Só para começar, a loucura de Laura (Ana Paula Arósio) seria muito melhor abordada. O mesmo aconteceria com as maldades de Frau Herta (Ana Beatriz Nogueira), Natércio (Daniel Dantas) e Afonso (Caio Blat). Esse trio, sem os limites impostos pela censura, poderia ser muito mais maléfico.
No que se refere à Letícia (Paola Oliveira), nossa!!! Personagem lésbica no livro, a tenista virou uma moça de personalidade forte na novela, o que diminuiu seu impacto. Deve ser frustrante para um ator saber que seu papel poderia ter rendido bem mais! Outro exemplo é o Conrado (Max Fercondini). O rapaz era para ser impotente e imagino as infinitas possibilidades dramáticas que poderiam ter sido desenvolvidas com um problema assim na vida de um jovem.
Tem mais. A religiosidade de Bruna (Ana Sophia Folch) sublimando sua sexualidade latente também seria muito melhor aproveitada. Como também o fato da doce Virgínia (Thammy Di Calafiori) se apaixonar pelo grande amor, Eduardo (Bruno Gagliasso), de sua melhor amiga, Margarida (Cleo Pires), virou apenas um capricho de adolescente. Mas... não adianta chorar sobre o leite derramado.
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Postado por: Jorge Brasil | 02/10/2008 | (78) Comentários
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Fui assistir a dois filmes nos últimos dias, que me atingiram profundamente por motivos diferentes (um por sua alegria e espontaneidade, o outro por sua sinceridade pungente), mas que tinham um ponto forte de convergência: suas maravilhosas atrizes. O primeiro era Mamma Mia!, com a badalada Meryl Streep. O outro, Linha de Passe, com Sandra Corveloni. Meryl é de longe a melhor atriz de cinema do mundo e vive a protagonista de Mamma Mia!, inspirado na peça musical feita com músicas do grupo Abba, com um pique impressionante. É a própria Dancing Queen! Mas é ao entoar a lindíssima The Winner Takes It All, que ela mais impressiona. Meryl interpreta cada palavra da canção com tanta emoção que arrepia até os cabelinhos dos dedos do pé. Já Sandra é desconhecida do grande público, mas ficou famosa depois de levar o prêmio de melhor atriz no último Festival de Cannes. Não sei se foi justo, porque não vi os desempenhos de suas concorrentes, principalmente, a magistral Julianne Moore em Ensaio Sobre a Cegueira. Mas a atuação de Sandra é realmente fantástica. Ela desaparece totalmente na personagem e sua entrega ao papel tem energia que deixa o público arrepiado.
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Postado por: Jorge Brasil | 25/09/2008 | (32) Comentários
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Uma novela se sustenta sobre três pilares principais: a história, a direção e as atuações. O resto – figurinos, cenários, trilha sonora, efeitos especiais e fotografia – é muito importante sim, mas, no fundo, são apenas “enfeites”. Quando essa santíssima trindade funciona bem, é uma maravilha. Rende obras-primas como Irmãos Coragem (1970), Selva de Pedra (1972), Escalada (1975), Gabriela (1975), O Casarão (1976), Roque Santeiro (1985), Cambalacho (1986), Vale Tudo (1988) e por aí... Quando dois deles bombam, ainda dá para surgir bons trabalhos, a exemplo de A Favorita, cuja história é ótima e o elenco maravilhoso, mas a direção é fraca. Mesmo quando apenas um pilar é eficiente, ainda é possível assistirmos a novela sem tanto sofrimento.
Agora, quando nenhum pilar se destaca é dramático. E foi o que aconteceu nos três primeiros capítulos de Três Irmãs. Você vai dizer que estou sendo muito apressado em falar da trama. Pode ser. Daqui a um mês pretendo voltar ao assunto com mais embasamento, mas o que nos foi apresentado até agora é muito fraco.
Não tenho o que reclamar da parte técnica. As imagens feitas em Bali (Indonésia) são deslumbrantes, as cenas de surfe muito bem feitas e a cenografia é caprichadíssima. Adorei também a trilha sonora, cheia de canções antigas. O único senão é Mart´Nália destruindo a música Don´t Worry, Be Happy, de Bobby McFerrin. Não entendo nada que ela canta. Aliás “cantar” não é exatamente um termo que se aplique à filha de Martinho da Vila...
E detestei a abertura pelo conjunto da obra. É feia, preguiçosa e sem criatividade. Achei também o fim da picada o nome de Regina Duarte ter vindo em primeiro lugar nos créditos. A produção não se chama Três Irmãs? Então, nada mais correto do que Cláudia Abreu, Giovanna Antonelli e Carolina Dieckmann aparecerem na frente. Regina, uma deusa da TV, poderia vir no final, em grande estilo, no tipo: Regina Duarte como Waldete. E pior ainda. Marcos Palmeira também se meteu no meio de Cláudia e Giovanna. Nada a ver. Mas vamos falar sobre os tais três pilares que mencionei lá em cima.
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A HISTÓRIA
Não entendi por que a novela abriu com Maitê Proença e Paulinho Vilhena, dois personagens coadjuvantes. A história deveria ter sido introduzida pelas três irmãs do título. Mas, não. Passaram longos e tediosos minutos de Maitê seguindo Paulinho, sem qualquer sentido ou importância. Gostaria muito de entender qual foi a proposta do autor, Antônio Calmon. A primeira irmã, Suzana (Carolina) só surgiu após Greg (Rodrigo Hilbert) citar a cidade de Caramirim e a bela loira aparecer surfando. A partir daí começaram a ser apresentados os personagens principais. Só que nada surpreendente ou interessante aconteceu. Foi apenas uma sucessão de tipos circulando pela telinha... Para dizer que não me apeguei a ninguém, achei divertido o trio de picaretas formado por Luís Gustavo, Otávio Augusto e Graziella Moreto. Das três irmãs, apenas Alma (Giovanna) me chamou atenção. As outras passaram em branco. Resumo da ópera: os capítulos de Três Irmãs acabaram sem deixar no ar qualquer vontade de acompanhar a história no dia seguinte.
A DIREÇÃO
Não tenho nada contra Dennis Carvalho ou os diretores de sua equipe. Mas a impressão que Três Irmãs tem deixado é que não existe um condutor. Ficou parecendo que Dennis disse ao elenco: “Vou tomar um café e já volto”. Mas não retornou ao set. E, a partir daí, cada um passou a fazer o que bem desejasse. Não existe unidade ou personalidade na novela. Cada cena parece ter sido feita por uma pessoa diferente, com estilos distintos. Numa semana de estréia, em que o espectador precisa ser capturado a laço, a atenção se dilui. E você se sente perdido no espaço. Experiente, Dennis certamente vai perceber isso e corrigir esse pecado capital antes que ocorra uma tragédia dramatúrgica.
AS ATUAÇÕES
O elenco de Três Irmãs é de novela das 9 da Globo. Aliás, boa parte saiu de Paraíso Tropical (Vera Holtz, Hugo Carvana, Débora Duarte, Beth Goulart, Paulo Vilhena, Roberta Rodrigues, Vitor Novelo, Thavyni Ferrari, Otávio Augusto e Guilherme Piva). Mas o rendimento deles não é de horário nobre. Eles estão atuando mal? Longe disso. Cláudia Abreu, Ana Rosa, Roberto Bomfim e Marcos Caruso estão eficientes como sempre. Só que ninguém brilha. Ninguém se destacou ainda. Pelo menos positivamente. Até agora, apenas Graziella Moretto, Otávio Augusto e Luís Gustavo merecem algum aplauso. Eles estão formando um trio engraçadíssimo. E acho que ainda vão aprontar muito.
Gostei do tempo de comédia de Giovanna Antonelli. Só acho que ela exagera um pouco em alguns momentos e isso é sinal claro da falta de direção que citei lá em cima. O mesmo acontece com Regina Duarte e Vera Holtz. Maravilhosas, elas ainda estão fora do tom. Mas o embate entre as duas promete. Vamos ao fracos desempenhos. Carolina Dieckmann fazendo aquelas caretas de boazinha me provocou refluxo. Ninguém merece! O “duelo de interpretação” entre Paulo Vilhena e Rodrigo Hilbert, no alto de uma montanha em Bali, também foi triste. Já Bruno Garcia precisa urgentemente se reciclar. Desde o promotor Pedro Guerra, de Coração de Estudante (2002), que ele vem fazendo o mesmo papel na TV. Saudades da Vilminha, que ele fez brilhantemente na série Sexo Frágil.
Por fim, o pior de todos. Marcos Palmeira. Dennis Carvalho deveria ter aprendido em Celebridade (2003), que Marcos não pode fazer cenas extremamente dramáticas. Ele não rende, tadinho. Lembro o quanto chorei quando li a cena de Celebridade em que Fernando (Marcos) contava ao filho Inácio (Bruno Gagliasso), que o irmão, Fábio (Bruno Ferrari), havia morrido. E imaginava como iria sofrer quando visse a seqüência no ar. Até hoje não esqueço o ódio que me deu ao assistir Palmeira arruinar o texto brilhante de Gilberto Braga, com sua mais completa incapacidade de se emocionar. Foi tudo artificial e beirando a canastrice. O mesmo aconteceu quando o personagem atual do ator, Bento, perdeu a mulher e o filho no parto. O ator não rendeu e foi engolido pelas crianças que vivem seus filhos, Thavyne Ferrari e Matheus Costa. Um fiasco.
Bem, entre mortos e feridos, Três Irmãs chegou trazendo luz e alto astral para a telinha. Espero que sua equipe consiga fortificar, acertar as arestas e fazer a novela crescer e dar frutos. Vamos dar tempo ao tempo.
Postado por: Jorge Brasil | 18/09/2008 | (92) Comentários
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A melhor tradução para a trama das 7 da Globo é exatamente seu título: Beleza Pura. A estréia de Andréa Maltarolli como autora titular foi muito bem sucedida. Gostei bastante da maneira como ela desenvolveu sua história e, principalmente, como estruturou a última semana da novela. Até terça-feira, ela encerrou a saga de Rakelli (Ísis Valverde), na quarta definiu o conturbado romance de Renato (Humberto Martins) e Helena (Mônica Martelli) e deixou para os dois capítulos finais a resolução do caso dos diamantes e a conclusão dos conflitos do trio de protagonistas, Guiherme (Edson Celulari), Joana (Regiane Alves) e Norma (Carolina Ferraz). Para uma ''novata'', Andréia mostrou maturidade de veterano.
Numa avaliação final, a conclusão é que Beleza Pura ficará marcada como a ''novela da Rakelli''. Com muita talento, beleza e interpretando um texto espirituosíssimo, Ísis colocou sua personagem nas antologias da TV brasileira. E brilharam intensamente ao seu lado a maravilhosa Zezé Polessa, Marcelo Faria - especializando-se no ''tipo bobão'' -, Carol Castro - surpreendendo com seu tempo de comédia - e Bruno Mazzeo, que mostrou que DNA de humor não falha. Aí você me pergunta: e Rodrigo Lopéz? O intérprete do Betão se saiu bem, mas nada que justificasse tanta expectativa em torno de seu nome, como a que se criou antes da novela começar.
Beleza Pura também deu destaque para duas humoristas do Zorra Total: Maria Clara Gueiros e Mônica Martelli. A primeira, na verdade, é atriz de um papel só, mas, mesmo assim, estava engraçadíssima como a doidivanas Suzy. Sem falar que sua parceria com Leopoldo Pacheco foi um charme. Já Mônica talvez tenha sido a grande revelação da novela. Apesar da caracterização preguiçosa que fizeram para seu Mateus, ela convenceu como homem e deu show de bola até nas cenas dramáticas.
Vale ressaltar ainda que Beleza Pura contou com o auxílio luxuoso dos veteranos Reginaldo Faria e Elias Andreato e com o frescor dos jovens talentos Rafael Cardoso, Paulo Vilela, Monique Alfradique, Bianca Comparato, Letícia Isnard e Pedro Brício.
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Postado por: Jorge Brasil | 11/09/2008 | (54) Comentários
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Quando escrevi aqui que não gostava de Pantanal recebi os mais diversos comentários. Gente concordando comigo, outros querendo me estrangular e alguns mais sóbrios se posicionando normalmente sobre o assunto. Teve até mesmo aqueles mais grosseiros que me acusaram de ser ''comprado'' pela Globo para falar mal do SBT. Quanta bobagem! Mas é assim mesmo. Temas que envolvem paixão, como futebol, carnaval e novelas, são difíceis mesmo de serem lidados com distanciamento. Mas agir assim faz parte da minha profissão. É preciso deixar a preferência pessoal de lado para analisar a novela ou o artista por seus atributos técnicos. Por exemplo: sou fã de A Favorita. Mas não tenho como deixar de ver que a história tem muitas deficiências, principalmente, nos núcleos fora da trama principal. Mas nada que João Emanuel Carneiro não possa resolver... É impossível também ignorar toda a precária produção do SuperPop, na RedeTV!, mas confesso que assisto sempre e fico hipnotizado. É tão absurdo que acabo gostando. Por outro lado, tenho uma implicância épica com minha conterrânea Fernanda Young, mas profissionalmente sou obrigado a reconhecer que ela evoluiu muito como entrevistadora e que seu Irritando Fernanda Young, exibido pela GNT, é muito bom.
Quis explicar isso para mostrar que não tenho qualquer problema pessoal com Pantanal. Tanto que, no último fim de semana, achei no meu quarto da bagunça o LP com a trilha sonora da novela e fui correndo ouvi-la. Sim, eu ainda tenho um aparelho de som que toca disco de vinil... E me deliciei! É uma das melhores trilhas de todos os tempos. O maestro, compositor e cantor Marcus Vianna é genial. Adoro suas orquestrações grandiosas, seus acordes pomposos e suas letras românticas, como ouvimos na linda Amor Selvagem, tema de Juma (Cristiana Oliveira) e Jove (Marcos Winter). Mas gosto muito também de Estrela Natureza (Sá & Guarabira), No Mundo dos Sonhos (Robertinho do Recife), Apaixonada (Simone), Quem Saberia Perder (Ivan Lins), Pantanal (Sagrado Coração da Terra), Um Violeiro Toca (Almir Sater) e Memória da Pele (João Bosco). Pantanal teve ainda mais dois discos, mas nenhum deles superou o primeiro.
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Postado por: Jorge Brasil | 04/09/2008 | (70) Comentários
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Pode me chamar de maluco, mas minha cabeça não desliga nunca do universo das telenovelas. Gosto de ficar pensando em como teria sido se Cláudia Abreu tivesse aceitado ser a Sol, de América (2005), e Paula/Tais, em Paraíso Tropical (2007). O que ela teria feito diferente da Deborah Secco e da Alessandra Negrini, respectivamente. Já imaginei também como teria sido O Clone (2002) se Fábio Assunção e Letícia Spiller não recusassem interpretar Diogo/Lucas/Léo e Jade na trama de Glória Perez.
E mais: como teria ficado Duas Caras com Eduardo Moscovis e José Mayer, as primeiras escolhas de Aguinaldo Silva, como Ferraço e Juvenal Antena? Fico literalmente delirando e criando um universo paralelo na telinha. Minha última viagem foi imaginar como outros autores consagrados da Globo desenvolveriam a trama principal de A Favorita. O que Silvio de Abreu, Gilberto Braga, Aguinaldo Silva, Glória Perez, Benedito Ruy Barbosa e Manoel Carlos fariam no lugar do João Emanuel Carneiro. Pois bem, embarquei nessa viagem e peço que você venha comigo. Mas atenção: tudo que está aí abaixo saiu da minha cabeça doida. Confira. Venha viajar comigo!!!!
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Postado por: Jorge Brasil | 28/08/2008 | (58) Comentários
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De médico e louco todos nós temos um pouco. Complemento essa frase dizendo que todo mundo também é técnico de futebol, jurado de escola de samba, crítico de cinema e autor de novela. E acho que, perto de completar 40 anos (dia 25 de dezembro), estou englobando tudo isso.
Até treinador de ginástica artística estou me sentindo, já que gostaria de dizer umas verdades para Diego Hipólito, Jade Barbosa e Daiane dos Santos...
Só que, com certeza, é a faceta autor de novela que tem me ''possuído'' atualmente. Sei que pode parecer fácil falar sobre o trabalho dos outros, mas a cada dia que passa tenho mais vontade de dar meu jeitinho nas tramas que estão no ar.
Todo mundo sabe que eu adoro A Favorita. Reverencio diariamente o talento de João Emanuel Carneiro, mas, mesmo assim, tenho alguns toques para dar a ele. O primeiro é diminuir os desvarios de Augusto César (José Mayer). Além de chato demais, o personagem vai se envolver com Donatela (Claudia Raia), que está numa fase superdramática. Vai ficar muito estranho aquela figura patética contrastando com uma Donatela destruída pelo sofrimento. Para Augusto César eu seguiria o conselho básico que um amigo vive me dando: ''Menos, bem menos, quase nada''.
Outro que precisa de uma mãozinha é Zé Bob (Carmo Dalla Vecchia). Além de cortar o cabelo dele urgentemente, eu daria mais ação para o personagem. Para um jornalista audacioso, furão, corajoso, Zé Bob está passivo demais. Paradão em excesso. Se mexe, Zé Bob!
Outra a quem me dedicaria com afinco é Alícia. Tadinha da Taís Araújo... Tão linda e talentosa, mas relegada a fazer ponta. Eu tentaria incluir Alícia na trama principal da história, de repente, como a nova parceira de investigações de Zé Bob, já que Maíra (Juliana Paes) vai partir dessa para melhor.
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Postado por: Jorge Brasil | 20/08/2008 | (55) Comentários
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Poucos problemas podem afetar tanto o desempenho de uma novela quanto a falta de química entre um casal romântico. Deve ser um sentimento terrível quando um novelista vê seus personagens tão carinhosamente construídos desmoronarem porque os atores não se entendem em cena. Atualmente, não há nada no mundo que me convença que Carmo Dalla Vecchia e Claudia Raia possam render o principal par de A Favorita. Simplesmente não há liga entre eles. Claudia é demais para o caminhãozinho de Carmo. Quando os dois estão juntos, tadinho, o rapaz vira uma criança perto de um mulherão. Carmo funcionava melhor com Patrícia Pillar e Taís Araújo... Química das boas mesmo tem Cauã Reymond e Mariana Ximenes. Quando Haley e Lara estão juntos, a telinha pega fogo. Dono de uma pegada forte, tudo leva crer que Cauã vai fazer uma bela parceria com Deborah Secco também. Vamos aguardar!
Outro exemplo acontece em Beleza Pura. Regiane Alves e Edson Celulari não deram certo. Ela fica muito melhor nos braços de Humberto Martins e Edson fica bem ao lado de Christiane Torloni. Mas como Joana e Guilherme são os protagonistas da história, certamente vai rolar uma forçada básica para ficarem juntos. Muita gente sempre me escreve querendo saber, afinal, o que é essa história de ''química''.
Bem, basicamente, posso dizer que é aquele entrosamento entre um casal de atores em cena. E afirmar com absoluta certeza quando isso irá acontecer é muito difícil. Por isso, os diretores e autores geralmente gostam de repetir um casal quando ele dá certo. Só que nem mesmo isso é garantia de sucesso. É só lembrar que, em Esperança (2002), Reynaldo Gianecchini e Priscila Fantin viveram um par romântico dos bons, mas ao repeti-los em Sete Pecados (2007), foi tudo por água abaixo. Giane e Priscila não tiveram liga na trama de Walcyr Carrasco.
Confira outros casos de sucesso e fracassos retumbantes de casais românticos em nossas novelas:
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Falta de química
Alzira (Flávia Alessandra) e Juvenal Antena (Antonio Fagundes), em Duas Caras (2008)
Clarice (Lavínia Vlasack) e Daniel (Marcelo Serrado), em Prova de Amor
Isabel (Carolina Dieckmann) e Daniel (Dan Stulbach), em Senhora do Destino (2004)
Do Carmo (Susana Vieira) e Dirceu (José Mayer), em Senhora do Destino
Olívia (Ana Paula Arósio) e Léo (Thiago Rodrigues), em Páginas da Vida (2006)
Júlia (Gloria Pires) e André (Marcello Antony), em Belíssima (2005)
Yolanda (Ana Paula Arósio) e Martin (Erik Marmo), em Um só Coração (2004)
Eva (Malu Mader) e Conrado (Thiago Lacerda), em Eterna Magia (2007)
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Química Explosiva
Serena (Priscila Fantin) e Rafael (Eduardo Moscovis), em Alma Gêmea (2005)
Vivianne (Letícia Spiller) e Naldo (Eduardo Moscovis), em Senhora do Destino (2004)
Débora (Juliana Knust) e Antônio (Otávio Augusto), em Duas Caras (2008)
Cíntia (Helena Ranaldi) e Pedro (José Mayer), em Laços de Família (2000)
Gui (Juliana Paes) e Artur (Murilo Benício), em Pé na Jaca (2006)
Marisol (Danielle Winits) e Esteban (Marcos Pasquim), em Kubanacan (2003)
Edwiges (Carolina Dieckmann) e Cláudio (Erik Marmo), em Mulheres Apaixonadas (2003)
Lurdinha (Cleo Pires) e Glauco (Edson Celulari), em América (2005)
Casais perfeitos
Ficaram famosas as combinações de sucesso entre Tarcísio Meira & Glória Menezes; Regina Duarte & Francisco Cuoco; Eva Wilma & Carlos Zara; Yoná Magalhães & Carlos Alberto, Susana Vieira & José Wilker; Eduardo Moscovis e Carolina Ferraz, só para citar alguns.
Muitas vezes também a química é tão forte que os artistas levam a paixão da ficção para a vida real. A lista é enorme: Tarcísio e Glória (25499 Ocupado), Eva e Zara (Mulheres de Areia), Fábio Jr. e Gloria Pires (Cabocla), Carlos Alberto Riccelli e Bruna Lombardi (Aritana), Letícia Sabatella e Angelo Antônio (O Dono do Mundo), Júlia Lemmertz e Alexandre Borges (Guerras sem Fim), Cássio Gabus Mendes e Lídia Brondi (Meu Bem, Meu Mal), Marcello Novaes e Letícia Spiller (Quatro por Quatro), Edson Celulari e Claudia Raia (Deus nos Acuda), Vladmir Brichta e Adriana Esteves (Kubanacan) e Daniel de Oliveira e Vanessa Giácomo (Cabocla)... Mas trágico mesmo é quando aposta-se tanto que o principal casal da história vai envolver o público em sua linda história de amor e nada acontece. Todo mundo esperava que Murilo Benício e Deborah Secco tivessem uma química bárbara em América (2005), mas que nada. A dupla deu tão errado, que ele acabou nos braços de Gabriela Duarte e ela ficou com Caco Ciocler. Outro exemplo? Malu Mader e Marcos Palmeira em Celebridade (2003). O próprio Gilberto Braga (autor da novela) declarou há pouco tempo que a falta de clima entre os dois atores prejudicou seu principal casal. Ao mesmo tempo, na mesma novela, Cláudia Abreu e Márcio Garcia arrebataram o público na pele dos safados Laura e Marcos. Já em Paraíso Tropical (2007), nada contra Fábio Assunção e Alessandra Negrini. Os dois até que tiveram uma boa química, só que foi na cama de Bruno Gagliasso que a atriz conseguiu um melhor resultado. Quem poderia imaginar que os dois combinariam tão bem? O mesmo pode-se dizer de Renée de Vielmond e Rodrigo Veronese, e de Wagner Moura e Camila Pitanga na mesma novela. Hoje, quando fala-se em Paraíso Tropical só vem à cabeça Olavo e Bebel se ''pegando''.
Postado por: Jorge Brasil | 14/08/2008 | (25) Comentários
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No capítulo exibido na terça-feira, dia 5, João Emanuel Carneiro encerrou a primeira parte de sua trama. Ao revelar para o mundo que Flora (Patrícia Pillar) era a assassina de Marcelo, o novelista elevou A Favorita a um dos mais altos patamares da história de nossa teledramaturgia. Que obra foi tão ousada ao entregar seu grande mistério no meio de sua exibição? A Favorita fez isso e vai fazer muito mais. A história tem ainda muitas possibilidades a serem desenvolvidas e confio no talento, na astúcia e na sensibilidade de João Emanuel para nos envolver nessa rede de intrigas.
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Postado por: Jorge Brasil | 06/08/2008 | (79) Comentários
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Sou muito fã de tudo o que gira em volta de Ciranda de Pedra. Do maravilhoso livro de Lygia Fagundes Telles, da adaptação feita por Teixeira Filho, em 1981, e da nova versão escrita por Alcides Nogueira. E sempre defendi o remake exibido pela Globo, reclamando da baixa audiência. Acho injusto que, uma produção tão caprichada, não tenha o ibope que mereça. Mas, de uns tempos para cá, a novela tem sido atingida por um fenômeno que há algum tempo vinha sendo evitado pelos novelistas: a famosa barriga. Explica-se: o termo é usado quando, no meio da novela, a trama fica meio parada e perde-se a vontade de assistir ao capítulo do dia seguinte. Está acontecendo isso em Ciranda de Pedra. Está totalmente sem ritmo. A ciranda de emoções da história está paradinha, paradinha. Nem mesmo a doença de Natércio (Daniel Dantas), que separou Laura (Ana Paula Arósio) e Daniel (Marcello Antony), conseguiu dar mais eletricidade.
O que se fazer num caso como esse? Normalmente, autores apelam para o 'quem matou?' Na verdade, isso já iria acontecer com Julieta (Mônica Torres), que seria misteriosamente assassinada. Muito também se falou sobre a morte de Laura, só que até agora, nada!
Uma boa saída seria explorar mais a personagem Elzinha. Biscoito finíssimo, Leandra Leal é o grande nome do elenco. Atriz inteligente, Leandra conseguiu equilibrar o tom cômico do papel, evitando que Elzinha virasse uma caricatura. Então, nada mais acertado do que incluir a vendedora no principal núcleo da trama.
Outra boa opção está nas mãos de Ana Beatriz Nogueira. Enquanto Leandra domina com folga o lado cômico da história, Ana Beatriz reina no setor dramático. Que Frau Herta é uma víbora, ninguém duvida, mas para esse momento mais "devagar, devagarinho", nada melhor do que fazer a governanta praticar ainda mais maldades. Muitas, aliás. Nem todas bem-sucedidas, é claro, já que os espectadores amam ver os vilões se dando mal. É só prestar atenção: vilão bem-sucedido é aquele que faz os mocinhos e mocinhas sofrerem, mas que também apanham bastante antes do último capítulo.
Exemplos? Bem, lá vai... Nazaré (Renata Sorrah), de Senhora do Destino (2004), fez do Carmo (Susana Vieira) comer o pão que o diabo amassou, mas também foi castigadíssima: levou uma surra da inimiga, foi internada num hospício, virou foragida da polícia... Quer mais? Em Paraíso Tropical (2007), o quarteto do mal Olavo (Wagner Moura), Bebel (Camila Pitanga), Taís (Alessandra Negrini) e Ivan (Bruno Gagliasso) padeceram tanto quanto fizeram sofrer.
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Postado por: Jorge Brasil | 31/07/2008 | (13) Comentários
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Como sou um homem de época, felizmente, assisti Irmãos Coragem (1970), Pai Herói (1979), Jogo da Vida (1981), Guerra dos Sexos (1983), Corpo a Corpo (1984), Brega & Chique (1987), Rainha da Sucata (1990), todas estreladas pela mais importante atriz de TV do Brasil: Glória Menezes.
Mas, desde Deus nos Acuda (1992), Glória não tinha uma personagem à altura de seu talento. Erro que foi corrigido agora, em A Favorita. Na pele da ricaça Irene, Glória volta a ser protagonista e, além de linda, esbanja classe em cada cena que faz. Seus embates com Claudia Raia são espetaculares e as cenas de emoção com Mariana Ximenes e Patrícia Pillar me tiram o fôlego.
Irene virou uma espécie de Miss Marple (detetive idosa de vários livros de Agatha Christie), já que, até agora, foi ela quem resolveu todos os mistérios: descobriu as falcatruas de Dodi (Murilo Benício), ajudou Flora (Patrícia Pillar) a se aproximar de Lara (Mariana Ximenes) e acabou com a banca de Donatela (Claudia Raia), gritando a plenos pulmões: "Assassina!". Bom demais!
Glória degusta o brilhante texto de João Emanuel Carneiro com prazer, certamente, por dar valor à jóia que está em suas mãos. Atriz experiente, não tenta sobrepujar suas colegas de trabalho e sim soma seu talento ao delas, criando uma saborosa parceria. Não perco A Favorita por muitos motivos, mas um dos fundamentais, é me deliciar com Glória Menezes.
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Postado por: Jorge Brasil | 23/07/2008 | (13) Comentários
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Quando foi exibida, em 1990, a novela Pantanal provocou muito burburinho. Se não me engano, foi e é a maior audiência já conquistada por uma trama não global: alcançou picos de 40 pontos. Realmente um fenômeno! E que se repete agora. Não com os mesmos índices, é claro. Mas os 14 pontos que a produção da extinta Rede Manchete vem arrebatando no SBT também são fenomenais, principalmente, porque é a quarta vez que ela é exibida. A primeira foi entre 27/03 a 10/12 de 1990, a reprise veio logo em seguida, de 17/06/1991 a 18/01/1992, e depois foi reapresentada de 26/10/1998 a 14/07/1999.
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