Reportagem

Marcelo Adnet

Ele só não dá sono

A intimidade do comediante, que virou fenômeno na MTV e na internet com o programa 15 Minutos, surpreende: ele mora com a mãe, já estudou servo-croata, adora horário eleitoral, sabe de cor hinos de clubes e pensa até em ser político!

Por Aline Salcedo

 

É impossível conversar com o carioca Marcelo Adnet, 26 anos, sem rir. Seu jeito escrachado de fazer humor conquistou o público e em apenas quatro meses no ar com o programa 15 Minutos, na MTV, tornou-se líder de audiência. Com camiseta, chinelos e bermuda ele faz e fala o que quer ao lado do amigo mascarado, Kiabbo, em um cenário que imita seu quarto. ''Acho que virou mania porque é sincero. Assumo o lance de estar em casa, não apareço com roupa arrumadinha e até atendo o celular no ar. É tudo fora do padrão, este é o trunfo do programa'', opina Adnet. Formado em jornalismo pela PUC-RJ, ele trocou a carreira para ser ''ator alternativo'' na peça Z.É.-Zenas Emprovisadas. O blog do ator também faz sucesso: é o mais acessado na página da emissora. 

No dia-a-dia Marcelo tem uma rotina agitada, entre Rio e São Paulo, mas não menos divertida. Afinal, o que dizer de alguém que tem compulsão por idiomas, já estudou russo, romeno, ucraniano, grego, tupi-guarani, japonês, alemão, italiano, francês, espanhol e latim (tá certo que é fluente apenas em inglês e espanhol), que ainda mora com a mãe e que diz gostar de assistir aos programas da TV Senado? Ou seja, ele é, no mínimo, hilário! 

Em praia paulista

Marcelo mora com a mãe, Regina França, 56, no Rio de Janeiro, e não se incomoda: ''A situação é bizarra, mas acho tranqüilo. Tem seus prós viver com a mamãe: ela é superdedicada, faz meu leitinho se eu pedir...'', defende-se. Mas hoje ele passa mais tempo em São Paulo, por causa do programa e do namoro com a VJ Dani Calabresa, 26, também da MTV. ''Fico uns cinco dias lá, no mínimo. É uma cidade com mais oportunidades'', diz o ator, que também se apresenta no bar Comédia ao Vivo, em São Paulo, com um curto show de humor. 

No Rio, além de estar em cartaz com a peça Advocacia, Segundo os Irmãos Marx, no Teatro das Artes, na Gávea, passa os dias se divertindo com atividades, digamos, inusitadas: adora jogar altinho (roda de futebol) na praia, assistir a programas trash e decorar hinos de futebol (ele sabe todos até o do Íbis, conhecido como o pior time do Brasil). Quer mais? Que tal estudar astronomia ou servo-croata! ''Há um ano, eu me interessei pela Guerra da Bósnia, descobri o idioma e a MPB, música popular bósnia, que toco no violão'', afirma, com convicção. Ainda na infância, o ator dava sinais de seu gosto incomum. ''Fui uma criança fechada e que só gostava de ler, ler e ler. De desenho animado, só vi Pica-Pau e Os Simpsons, preferia assistir ao horário eleitoral'', confessa. ''Queria me lançar a vereador. Hoje, não sei se me candidataria, estou em outra. Mas um dia gostaria'', admite.

Por fim, ele se define como um ''estranho bem-resolvido'': ''Eu me considero um cara com gostos excêntricos, um hiperativo mental! Mas vou à praia, ao Maracanã, saio com os amigos, sou baladeiro. Se colocarem dance music, eu danço, e, se eu for à Bahia no Carnaval, danço axé na boa''. ''No meio dos hippies, sou careta, no meio dos caretas, sou hippie'', se auto-define. 

Botafoguense roxo

Entre suas ''caretices'', está casar e ter filhos. ''Não sei se isso é careta, mas sou fiel e romântico. Quando minha adolescência acabou, passei a ter novos objetivos. Percebi que ter filho é uma das coisas que mais quero na vida. Achava que não ia conseguir e me imaginava aos 40 anos, solteiro, acordando bêbado com uma menina de 27 anos, isso me deu uma depressão. Hoje, essa angústia está se revertendo'', declara o botafoguense fanático que escolhe em qual torcida organizada vai estar: ''Quando estou mais violento vou na Fúria e fico cantando músicas de porrada. Mas não sou violento, tanto que vou mais na Jovem, que canta música sem falar palavrão'', finaliza aos risos.

Foto: Marcos Pinto
 - Abre

''Eu me considero um cara com gosto excêntrico, um hiperativo mental! Mas vou à praia, ao Maracanã, saio com amigos, sou baladeiro''

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