Reportagem

Lucimara Parisi

Ele é uma dádiva

A diretora do Domingão do Faustão e o marido, Alexandre Viturino, falam - com exclusividade para Contigo! - sobre a experiência em adotar Gabriel, 2 anos, e a felicidade que o menino trouxe ao casal

Por Jacyara Azevedo

 

''Venha cá, minha vida. Que lindo você está! Me dê um beijinho...'', derretese Lucimara Parisi, 58 anos, quando Gabriel, 2, entra na sala de estar da ampla casa onde moram, na Granja Viana, nos arredores de São Paulo. ''Este aqui é meu anjo'', diz ela, uma das diretoras do Domingão do Faustão, da Globo. Em seguida, enche o menino de beijos. Há pouco mais de um mês, ela e o marido, o professor de educação física Alexandre Viturino, 38, concluíram o processo de adoção do menino. ''Desde 12 de junho, dez dias antes de completar 2 aninhos, Biel é oficialmente nosso filho. Agora ninguém tasca'', comemora ela.

A vontade de adotar uma criança surgiu em dezembro de 2005, quando os dois se casaram. ''Sempre quis ter um filho, mas Lucimara não poderia. Um dia, ela falou: 'Vamos adotar?' Eu concordei na hora. Ela me proporcionou essa alegria'', relembra Alexandre. ''Gabriel me dá oportunidade de ser mãe novamente. Ele traz energia para a família inteira'', emenda Lucimara.

Além de Gabriel, ela é mãe de Mário, 33, Mauro, 30, Ariane, 22, e Ariadne, 20 - os dois mais velhos são fruto do relacionamento com o jornalista Jorge Farath, já falecido, e as filhas, do casamento com o músico André Quioroglo. Elas moram na casa, assim como Yasmim, 5, filha de Ariane.

Desde que trouxe o menino de Salvador, onde ele nasceu, a apresentadora mudou a rotina da casa de 1.800 metros quadrados, que abriga, ainda, seis cachorros, dois gatos e uma arara. ''Biel (apelido carinhoso que deu ao menino) levanta às 8h30 e vai para nossa cama. A gente fica fazendo carinho nele. Depois do café, ele brinca no jardim com o pai. Um de nós sempre está com ele. Xandão sai para dar aula no fim do dia, quando eu já estou voltando'', conta ela, que se espanta com a semelhança entre o menino e o marido. ''Gabriel é muito parecido com Xandão. Se tivesse saído de dentro de mim, não seria tão igual'', brinca Lucimara. ''Até o juiz ficou impressionado. Todo mundo fala que ele é a minha cara'', confirma Alexandre. O casal recebeu Contigo! para falar sobre a experiência de adotar uma criança. ''A maioria das pessoas pensa: 'Que sorte teve este menino'. Mas a sorte, na realidade, é nossa. É uma dádiva'', diz Lucimara. Leia, a seguir, mais detalhes sobre a nova vida da diretora do Domingão e sua família.

Foi como uma gravidez
''A vontade de adotar se manifestou naturalmente. É tão gostoso ter uma criança em casa! Por opção é mais forte. Eu escolhi ter Gabriel. Sempre que a gente via uma criança, ficava sonhando. Alexandre colocava a mão na minha barriga e perguntava: 'Cadê o nenê?'. Enquanto esperava a papelada que nos habilitou para a adoção, eu colocava uma almofada na barriga e tirava fotos. Sei que parece loucura, mas a gente curtiu tudo.''

À espera de um filho
''Durante um ano preparamos a papelada para a adoção. Neste período, cheguei a visitar um abrigo em São Paulo, mas não quis voltar, me partiu o coração. As crianças chegavam e falavam: 'Tia, me leva embora'. Achei muito triste, porque dá vontade de levá-los dali. Por recomendação de um amigo, decidimos buscar uma criança em Salvador. Gabriel é fruto de um amor de Carnaval. A mãe devia ser novinha e deixou ele no abrigo assim que nasceu. O registro antigo nem tinha o nome do pai. Agora, ele é uma energia boa que renova a minha vida.''

Um momento inesquecível
''Eu tenho certeza de que Gabriel veio ao mundo para ser meu. No mesmo dia em que os documentos chegaram para o doutor Salomão (juiz que cuidou do processo de adoção), em Salvador, a foto dele apareceu na mesa. Esse juiz é espírita e contou que pensou: 'É este o filho deles'. Na verdade, eu queria uma menina, mas, quando vi o email com a foto do Gabriel, não quis ver mais nenhuma. Achei ele lindo! Coloquei uma cópia na minha carteira e comecei a conversar com o retrato: 'Mamãe vai buscar você, me espera. Papai também vai. Não chore e coma direitinho'. Tenho absoluta certeza de que ele ouvia. A gente estava na sala de espera quando trouxeram Gabriel. Imediatamente ele esticou as mãozinhas para mim. Esse momento eu nunca vou esquecer. Em quatro dias, Biel já começou a chamar a gente de mamãe e papai.''

Anjo mensageiro de Deus
''Ele dormiu tranqüilamente já na primeira noite. Assim que chegamos em casa, eu falei no ouvidinho dele: 'Preste atenção: agora você vai se chamar Gabriel porque é o nome do anjo mensageiro de Deus. Você é um presente para nós e vai morar em outro lugar'. Assim que terminei de explicar tudo, perguntei qual era o seu nome, e ele respondeu: 'Biel'. É lógico que ele sabia o nome original, afinal tinha 1 ano e meio de idade. O juiz e a psicóloga ficaram impressionados com a adaptação. Ele só sabia falar titio e titia, não tinha outra referência. No dia seguinte, quando a assistente social nos visitou, Gabriel se assustou com um cachorro e correu para mim. Está começando a formar frases e tem um pouco de sotaque. Eu falo do jeito dele: 'Mainha', 'Me dê'... Quero que ele fique com a origem.''

Xô, preconceito!
''Todos os dias, acordo agradecendo a Deus por ter essa felicidade. E acho que a gente mereceu essa oportunidade. Ele será muito amado por nós. A gente estará com ele para qualquer tipo de problema que possa enfrentar. Eu casei com um negro e nunca sofri preconceito racial. Outro dia, a gente fez uma entrevista no Domingão do Faustão com o (ator) Lázaro Ramos e falamos sobre isso. Fausto perguntou no ar: 'Lucimara, você, que é casada com um negro, sofreu algum tipo de preconceito?' E eu respondi que não, mas tenho o privilégio de trabalhar na TV e me beneficiar da situação. Na rua, as pessoas dizem: 'Adoro você, vi a foto do seu casamento'. Ano que vem, Gabriel vai para a escola. Se ele sofrer algum tipo de problema, o que tenho de fazer é enfrentar junto, abrir a cabeça e amá-lo muito.''

Negro é lindo
''Nosso processo durou cerca de dois anos. Foi rápido, mas porque a minha preferência era uma criança negra de até 3 anos... Quem reclama da fila quer um recém-nascido de olhos azuis... Eu adoro negro. É lindo e tão igual que não entendo como certas pessoas ainda têm preconceito. Eu vejo a mãozinha de Gabriel perto da minha e acho a coisa mais linda do mundo! Na relação com a criança, você fica numa sintonia tão grande com Deus... É tão especial, que faz as pessoas alegres, felizes e com vontade de viver. Muita gente acha que dá trabalho ou que é uma grande responsabilidade (adotar uma criança), mas gastam tanto dinheiro em bobagem... Eu criei quatro filhos. Tem muita criança linda e esperta esperando uma família. A gente se aprimora a cada filho. Com Gabriel, tenho a oportunidade de acertar mais.''

Foto: Sílvia Santana
 - Abre

GENTE NOVA NA CASA
Na cama do casal, Gabriel recebe o mimo da mãe, Lucimara Parisi, e do pai, Alexandre Viturino

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