Reportagem

Giba

Um pai olímpico

Craque do vôlei busca a medalha de ouro em Pequim. O talismã é a gravidez da mulher, Cristina, que pode ter o bebê durante a Olimpíada, como em 2004, em Atenas

Por Aline Salcedo

 

Está para acontecer de novo. Há quatro anos, na Olimpíada de Atenas, a seleção brasileira de vôlei faturou a medalha de ouro. Desta vez, chegará a Pequim como favorita e com boas chances de voltar com o ouro. Mas há outro fato que pode se repetir: o capitão da equipe, Gilberto Amauri de Godoy Filho, 31 anos, o Giba, pode ser pai pela segunda vez enquanto estiver na competição.

Em 2004, quando atuava na Grécia, Nicoll, sua primeira filha com a romena e ex-jogadora de vôlei Cristina Pirv, 36, nascia no Brasil, um pouco antes do previsto. Agora, Cristina está no sétimo mês de gravidez de um menino, Patrick, e há probabilidade de ele vir ao mundo bem na época dos Jogos. ''Ele já está enorme. No mês passado, já estava com 34 centímetros! Tem tudo para vir antes, mas avisei para me esperar. Disse a ele que com a irmã não aconteceu nada porque é menina, mas ele vai tomar uns cascudos se vier antes da hora (risos)'', diverte-se Giba, que conversou com Contigo! em seu único dia de folga após as duas vitórias sobre a França (3x0), pela Liga Mundial, no Mineirinho, em Belo Horizonte.

Tempo em casa
Dali, o jogador embarcou para Curitiba, onde mora no Brasil. Queria fazer ''coisas normais'', como ir ao dentista. Aliás, ele acaba de tirar o aparelho ortodôntico que usou por dois anos. ''Brinco que sou visita em casa. Mas troco tudo por isso. Adoro ficar com Nicoll, fazer tudo com as duas... Sempre vou ao médico com Cristina. Só perdi um ultra-som até agora. Adoro ficar lá conversando com Patrick, vendo ele se mexer. Com Nicoll, também conversava muito. Consegui até que ela mudasse de posição para nascer direitinho'', conta, orgulhoso. ''ilberto é o melhor jogador, o melhor pai, o melhor amante, o melhor marido. Quer dizer, é melhor eu dizer que ele é mais ou menos... Não posso encher muito a bola, senão as meninas vão achar que ele é perfeito'', brinca Cristina.

Paixão em Minas
Para Giba, jogar em Minas foi especial. Primeiro, porque voltou à quadra recuperado após uma torção no tornozelo esquerdo e com o apoio da torcida - segundo ele, a que mais entende de voleibol no Brasil. E porque foi ali que conheceu a mulher, em 1999, quando ambos jogavam no Minas Tênis Clube. ''Na época, nem dava bola para ele, eu o achava um metido, tinha todas as meninas a seus pés. Um dia, ele mandou um recado pelo fisioterapeuta e o mandei tomar banho'', lembra ela aos risos. ''A gente vem a Minas todo ano e dá muita risada disso. Esse lugar também me traz lembranças boas da carreira. Foi meu melhor momento de reconhecimento'', completa a ex-atleta, que parou de jogar depois de duas cirurgias no coração. Eles só começaram a namorar em janeiro de 2003, quando jogavam na Itália. ''Nos reencontramos e nunca mais nos largamos. Mas, dessa vez, ela que foi atrás de mim, em uma feijoada lá em casa'', conta Giba. Hoje, os dois moram na Rússia, onde ele joga no Iskra Odintsovo desde 2007. Seu contrato vai até 2010. ''A vida lá é espetacular. Difícil é aprender a língua, e quase ninguém fala inglês. Mas estou fazendo meu pé-de-meia”, diz ele, que ganha cerca de 1,5 milhão de reais por temporada. ''É por aí'', desconversa.

Família coruja
Terminado o campeonato na Rússia, antes de vir ao Brasil, Giba passou na Itália para fazer o enxoval do bebê. ''Compramos muitas roupinhas da Fendi, Dior e Burberry. Aprendi a me vestir com a loira. Agora, meus filhos têm de andar bonitos também'', brinca ele. O menino, aliás, já tem uma camisa da seleção com seu nome - presente da patrocinadora da equipe. Apesar de todos os mimos estarem voltados ao bebê que vai chegar, o atleta garante que Nicoll não sente ciúme. ''Mulher tem instinto materno desde pequena. Ela diz que vai cuidar dele assim que nascer. Patrick será o rei da casa, mas quem é rainha não perde a majestade'', garante o paizão.

Unidos na expectativa
Após o fim da Liga, Giba embarca dia 29 para passar dois dias no Canadá, mais dois no Japão e de lá segue para Pequim. Para ele, a distância da família, que sempre o acompanha, será o único problema. Mas assegura estar preparado. ''Já estou acostumado, né? Nenhum dos dois foi planejado para nascer na Olimpíada, mas combinei com Cristina: ela vai fazer os 100% dela no Brasil, e eu, os meus 100% lá. Nicoll já me deu sorte, e tomara que Patrick também dê'', diz, sem esconder que imagina ver o menino em quadra. ''Nicoll adora vôlei, foi a mãe que ensinou. Melhor assim. Cristina tem os fundamentos bem melhores que eu'', elogia, modesto, o jogador, que está desde 1995 na seleção e já conquistou seis Ligas Mundiais, além do Campeonato Mundial (2002), da Copa do Mundo (2003), da Olimpíada de Atenas, do Pan-Americano no Rio (2007) e de cinco edições do Campeonato Sul-Americano de vôlei. ''Ganhar sempre motiva ainda mais. Mas temos de ter cuidado com as armadilhas dos adversários, principalmente Rússia, Bulgária e Estados Unidos. Nossa meta é não perder nenhum set. Por isso, não pensamos nunca na possibilidade do segundo lugar. Jogamos pela perfeição.''

Foto: Cesar Tropia
 - Abre

CURTINDO A FAMÍLIA
Em um raro dia de folga, Giba posa com a mulher, Cristina Pirv, e a filha, Nicoll, em Belo Horizonte, onde disputou jogos da Liga Mundial de Vôlei

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