Reportagem

Dercy Gonçalves 1907 - 2008

Um século de irreverência e pioneirismo

Por Beth Padilha, Jacyara Azevedo
e Renata Telles

 

Dercy nasceu Dolores Gonçalves Costa, em 23 de junho de 1907, no município de Santa Maria Madalena, a 230 quilômetros da capital fluminense. Filha de um alfaiate português e de uma lavadeira, foi criada sob a rigidez do pai - a mãe abandonou os sete filhos por causa da infidelidade do marido.

Ainda criança, trabalhou como bilheteira de cinema. Fazia também apresentações para os hóspedes do pequeno hotel da cidade. Em casa, ela costumava representar para as irmãs. Aos 17 anos, fugiu para se juntar a uma trupe de teatro mambembe. Não parou mais.

O comportamento sarcástico da atriz transformou-a em sucesso, a partir da década de 30. Como comediante, especializou-se na arte do improviso e criou um estilo único, escrachado, que mesclava casos autobiográficos e polêmicos palavrões.

Em quase 80 anos de carreira, fez teatro, cinema e televisão. Vaidosa, submeteu-se a mais de dez cirurgias plásticas. Após vencer um câncer e a tuberculose, Dercy dizia: ''Só vou morrer quando eu quiser''. Viveu 101 anos. Viúva do jornalista Danilo Bastos, deixa a filha, Maria Dercimar - fruto de um relacionamento anterior ao casamento -, três netos e dois bisnetos.

Foto: Divulgação Rede Globo
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Um de seus principais sucessos foi o programa de auditório Dercy de Verdade, exibido pela TV Globo de 1966 a 1969, até ser retirado do ar, por problemas com a censura do regime militar. Provocadora, a artista não só dizia palavrões diante das câmeras como realizava atos inusitados

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