Priscila Fantin: ''sou uma atriz que se deixa dirigir''
Foto: Nelson Mello

Por Elisa Duarte
Ao conversar com Priscila Fantin fica fácil perceber que a morena de olhos verdes está em uma fase de autoconhecimento. ''Estamos sempre em busca de respostas para os nossos conflitos internos e precisamos deles para amadurecer'', refletiu. É verdade que o texto da peça que encena, Vergonha dos Pés, com roteiro de Fernanda Young, adaptado de seu romance homônimo, ajudou a despertar os sentimentos da atriz. ''Na repetição, durante os ensaios, encontrei várias formas de fazer a mesma coisa. Um pouco do seu estado de espÃrito fica no personagem'', descobriu. Sobre o retorno à telinha, ela avisa: ''A Globo está me esperando, me deram esse tempo para eu aprender, mas já estou com saudades da TV.''
Musa de Búzios
{A relação com Búzios} começou quando passei um Réveillon com minha famÃlia em 1989. Depois disso fui todos os verões pra lá com as amigas. Quando me mudei para o Rio comecei a freqüentar mais vezes durante o ano. Essa história {de ser a nova Brigitte Bardot} começou em 2007. O secretário de turismo me convidou para o posto ''Brigitte Bardot do século 21'', ou embaixadora voluntária, ou musa... 'Com o maior prazer!', respondi.
Baiana do Brasil
Fiquei apenas os quatro primeiros meses de vida em Salvador. Tenho um orgulho especial em dizer que sou soteropolitana, acho um charme e me identifico. Gente tranqüila, que fala manso, pensa para responder, mas não pára de pular se estiver em festa. Cresci em Belo Horizonte, sempre me considerei mineira, mas há nove anos morando no Rio, começo a achar que sou brasileira mesmo!
Priscila sustentável
Eu sempre fui ligada às questões ambientais. Meu pai é engenheiro ambiental e fui educada a ter respeito pela natureza. Sempre fui aquela amiga que fala: 'poxa desliga a torneira, não fica horas ai escovando os dentes com a torneira ligada'. Tento conscientizar as pessoas, e tentar fazer com que elas entendam o por que. As vezes você fala e as pessoas respondem: 'Pra quê eu vou fazer isso?'
Acelerada!!
Gosto muito do Rio, gosto de morar lá porque tenho contato com a natureza. Me sinto um pouco sufocada em São Paulo. Gosto de andar pelo Rio, ver as montanhas, ver o azul, o verde. Mas para trabalhar, prefiro o ritmo de são Paulo. Profissionalmente eu sou mais acelerada, minha cabeça está sempre produzindo.
À procura do corpo ideal
A {medicina} ortomolecular me ajudou há quatro anos. Mantive as reposições minerais até pouco tempo. Como sou curiosa e me informo holisticamente sobre saúde, agora sou eu por mim mesma. Minha educação alimentar foi muito boa e isso não muda.
Sempre linda
Essa cobrança {de estar sempre linda} existe desde que meu trabalho exija. Limito minhas preocupações em relação à estética para quando saio do primeiro banho, de manhã e antes de deitar, quando limpo a pele e hidrato.
Sensualidade à flor da pele
Encontro sensualidade no charme... Não procuro ser sensual, mas se aflora, não incomoda.
''Sou uma atriz que se deixa dirigir''
Não é fácil ser protagonista, o volume de texto e responsabilidades é grande. A estafa as vezes compromete minha relação com o mundo exterior, portanto, muitas vezes prefiro não me preocupar com isso. Quem trabalha comigo filtra essas informações, então, se achar pertinente, observo e melhoro alguma coisa. Em geral, prefiro perguntar ao autor ou diretor o que estão achando. Para mim é o que vale. Se eles estão satisfeitos, se foi assim que imaginaram, ok. Sou uma atriz que se deixa dirigir, portanto, onde o diretor quiser que a personagem vá, ela vai, com ponderações minhas.
Insegurança para criar
A insegurança está presente no artista, faz parte do processo da criação. Vejo o artista como uma pessoa pura, em geral, e de alma muito frágil. Por isso ela é artista, porque questiona e lida com sentimentos e emoções. A peça Vergonha dos Pés fala muito da vulnerabilidade das emoções. Mostra como mudamos de idéia o tempo todo. A insegurança e o medo são fundamentais para criar.
Amores na vitrine
Podem achar meio clichê, mas sempre tive a postura {de não falar da vida pessoal} desde o inÃcio da minha carreira. Eu não falo das minhas emoções nem com as minhas amigas, quanto mais para o Brasil inteiro. A cada dia, acordo de um jeito, o ser humano é muito mutante. Num dia está tudo certo, no outro dia, não está. Não posso dar uma declaração hoje que não será mais fato amanhã.Quando falamos de relacionamento, há sempre outra pessoa envolvida. Não sou só eu, são os dois. E as cabeças não pensam iguais. É um respeito que tenho com a pessoa que estiver comigo no momento.
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