Qua, 03/09/2008 - 17:53
VENEZA, 3 SET (ANSA)
Anne Hathaway tirou férias das comédias românticas que a tornaram famosa para mergulhar no papel de Kym, uma garota viciada em drogas que retorna para casa para o casamento da irmã, em "Rachel Getting Married", de Jonathan Demme, filme em concurso na 65ª Mostra Internacional de Cinema de Veneza.
O longa-metragem mostra os preparativos do casamento de Rachel com um rapaz negro e a trama se desenvolve em um contexto trágico. Kym considera-se culpada pela morte do irmão, que faleceu em um acidente de carro em que ela estava sob efeito das drogas e, após passar um período em uma clínica de reabilitação, a garota procura voltar ao seio familiar.
"Kym é o papel mais importante da minha carreira, o personagem mais complexo. Uma garota torturada psicologicamente, cheia de dificuldades. Mas eu não a vejo assim. Para mim, Kym é uma garota que procurava viver com honestidade a sua dor. Admiro a sua luta para encontrar um espaço na família, para confirmar a própria identidade. Nunca me importei se o público não gostasse dela, mas tinha certeza de que a havia compreendido", ponderou Hathaway, conhecida por filmes como "Diários da Princesa" e "O Diabo Veste Prada".
Segundo o Demme, ele logo pensou na atriz quando recebeu o roteiro de Jenny Lumet. "Eu a tinha visto em uma cerimônia do Globo de Ouro há cinco anos e estava radiante. Já queria trabalhar com ela. Então, falei para ela escolher: Kym ou Rachel", conta o ganhador do Oscar por "O Silêncio dos Inocentes".
Demme rodou o filme pensando na linguagem do movimento Dogma 95, criado pelos dinamarqueses Thomas Vinterberg e Lars Von Trier. "Queria rodar sem ensaios e com atores dispostos a improvisar e renunciar o primeiro plano. Acredito que com esse método e a minha experiência nos documentários consegui rejuvenescer o filme", reflete.
Hathaway, atualmente filmando a comédia romântica "Bride Wars" com Kate Hudson, também revelou que na semana passada foi a Denver para acompanhar a Convenção do Partido Democrata, que anunciou oficialmente a candidatura de Barack Obama.
"Os atores que falam sobre política não são bem vistos, mas eu o apóio e defendo. Olhando para as pessoas que participaram da convenção, finalmente vi aquilo que os Estados Unidos podem se tornar, o país da esperança de um mundo melhor", disse a atriz.
O cineasta e a protagonista vêem em "Rachel Getting Married" -- com um casamento inter-racial e a vontade de querer resolver problemas -- uma afinidade com o mundo promovido por Obama. "Nós filmamos antes (da candidatura), mas eu fico feliz que o filme possa ser uma inspiração, ser considerado um filme de Obama", declarou Hathaway.

A atriz Anne Hathaway
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