Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, encenado em 1943. Dirigido por Ziembinski é tido como o início do teatro moderno brasileiro
Foto: Divulgação

Por Elisa Duarte
''O teatro é a arte do ator. É no palco que o ator amadurece, cresce. Quando abre o tecido, não há mais nada, não tem diretor. É só ele'', disse Alexandre Reinecke, atualmente diretor de dois espetáculos em cartaz, Vergonha dos Pés, de Fernanda Young, e Toc Toc, de Laurent Baffie. William Shakespeare, considerado um dos maiores intérpretes da alma humana, tem suas obras adaptadas até hoje por ter entendido a essência humana, que não muda com o tempo. Mas a obra não se faz sozinha, para levar ao público grandiosas histórias, o papel do ator é fundamental. E a formação do ator, ainda mais, para criar veracidade aos sentimentos, à expressão artística.
Chegando mais perto, o que José Celso Martinez, Antunes Filho, João Fonseca e outros dramaturgos, construtores da história do teatro brasileiro, têm em comum? A vontade de criar, a paixão, e o desejo de sair do lugar-comum.
Na década de 50, Antunes Filho criou o Pequeno Teatro de Comédia como alternativa às produções já existentes, produzidas pelo Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) e pelo Teatro de Arena, de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri, que levou aos palcos um movimento nacionalista, simbolizado pela estréia da peça Eles Não Usam Black-Tie, em 1958. Em 1977, já reconhecido como diretor artístico, Antunes estudou Macunaíma, de Mário de Andrade. A estréia com jovens atores, em 1978, é considerada um marco na história cênica brasileira. Ainda nos anos 60, o Teatro Oficina, de José Celso Martinez, ativo até hoje, atinge seu primeiro auge com a montagem de O Rei da Vela (1967), que se tornaria um dos símbolos do movimento tropicalista.
Hoje, com dezenas de espetáculos montados, os mestres passam seus ensinamentos a uma nova geração de atores, que absorvem durante os ensaios e aulas a técnica e o pensamento necessário para manter o teatro vivo na essência de contar uma boa história e de introduzir no espectador um certo estado de inquietação.
A receita do sucesso não vem pronta. Precisa de temperos harmonizados e consistência firme. Aqui, a palavra de diretores consagrados e dos atores Lee Thalor e Izabella Bicalho, expoentes da nova geração.
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